#RT #Petisco de Cultura – Mostra no MASP apresenta trabalhos de pacientes psiquiátricos

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“Os homens são tão necessariamente loucos, que não ser louco seria uma outra forma de loucura” – Blaise Pascal

Em 1974, o doutor Osório César doou 102 desenhos de pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juquery, que ficava em Franco da Rocha, São Paulo, para o Museu de Arte de São Paulo. Mais de quarenta anos depois, as obras voltam ao espaço de exibição do MASP com o título Histórias da Loucura. A mostra fica disponível para visita até dia 11 de outubro e reúne a centena de desenhos classificados como “arte bruta” e feitos antes de 1964 com lápis de cor, giz de cera e materiais simples de criação artística.

Juquery foi inaugurado em 1898, mas apenas em 1956 o manicômio ganhou uma Escola Livre de Artes Plásticas. Liderado por Osório até 1964, o próprio um crítico de arte, a seção de artes do sanatório não superava os problemas do modelo de tratamento psiquiátrico no Brasil. Na realidade, Juquery é tido como um dos maiores exemplos de como surgiram e declinaram os manicômios no país.

Instituições para loucos são comumente associada à ditaduras. Quando o regime militar assumiu o comando no Brasil pós-golpe, havia 74 sanatórios em nosso território nacional. O número saltou para 395 quando o regime caiu, em 1985. É conveniente para governos totalitários determinarem quem é maluco, pelo visto. As políticas de saúde mental foram modificadas por aqui nos ano 1990 até serem extintos os centros. Isto torna estes registros artísticos algo bastante importante, pois tornam-se visões distantes de eurocentrismo, nada próxima de cânones e, sim, marginalizadas na história da arte.

Leia este trecho escrito por Adriano Pedrosa, retirado da brochura da mostra: “A loucura, que já esteve associada à liberdade e ao êxtase, passou a ser tomada como doença e foi relegada ao asilo, como condição que deveria ser moralizada, culpabilizada e reprimida”. Esta frase é uma conclusão vinda do livro “Histórias da Loucura”, de Michel Foucault, considerado um marco da filosofia.

Osório se negava a acreditar que os desenhos eram algo diferente de obras de arte. Via nas manifestações criatividade pura, o que dialogava com a visão de arte bruta enquanto algo feito sem preocupações acadêmicas por alguém tido como maníaco ou uma personalidade obscura. Antes de irem parar no MASP, parte das obras desfilaram em Paris em exposição de arte bruta mundial na primeira metade do século passado.

Mais informações sobre horários e serviço aqui. Confira algumas imagens da mostra abaixo.

As próximas imagens são de Albino Braz, o mais prolífico dos pacientes de Osório:

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Pedro Cornas:

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Pedro dos Reis (a primeira imagem do post é do mesmo artista):

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O. Doring:

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Anônimo:

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Geraldo Simão:

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Fonte: IDEAFIXA

Minha opinião: Achei tudo brilhante, me deu vontade até de ir Hospital para saber se tem mais artistas assim. Pois como diria nosso querido Raul: “A arte de ser louco, é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal.”

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