A Nudez nos Rituais Pagãos

A maioria dos pagãos, e logo os wiccanos, praticam os seus rituais “vestidos de céu”, ou seja, nus.
A nudez é a condição mais natural em que o corpo humano pode ficar.

A Igreja muito fez para criar sentimentos de culpa sobre a figura humana desnuda. Tais emoções distorcidas, não naturais, perduram até hoje.

A nudez ritual é usada pelo seu valor simbólico: a nudez mental, espiritual e física perante os deuses simboliza a sinceridade, confiança, pureza e fé.

Isto pode parecer estranho para muitos ocidentais, levados pelo puritanismo da tradição judaico-cristã… onde nudez é pecado e sexo é sujo!

A nudez ritual era prática de muitas religiões antigas, não é uma ideia nova.

 
O entendimento do poder feminino e da natureza é a base da Wicca, esse poder está presente desde os primórdios da humanidade.
A nudez e o sexo são elementos divinos em várias culturas antigas.

Os Índios norte-americanos, polinésios, índios do Amazonas e muitos outros povos de várias culturas não utilizam vestes para fins religiosos e enxergam na prática sexual um elemento sagrado.

O corpo, em especial o das mulheres, é venerado e não como objecto de prazer e consumo, mas sim como portador de uma dádiva, a capacidade de conceber e gerar vida.

Cobrir o corpo é parte da ideia de reprimir o AMOR e sexo

Medusa…. Que injustiça!

O casal de deuses marinhos, Fórcis e Ceto, tiveram três filhas: Medusa, Esteno e Euríale. Como eram muito belas, Atena, a deusa da sabedoria, escolheu a primeira para ser uma sacerdotisa em seu templo. Para que assim fosse, a jovem deveria ter uma beleza excepcional e ser ainda virgem. Medusa então se tornou a mais bela sacerdotisa de Atenas. O seu belo perfil e lindos cabelos, que lhe cobriam metade das costas, chamaram a atenção dos adoradores de Atena, deixando a deusa um pouco enciumada. Mesmo sabendo que era desejada pelos homens, Medusa só se preocupava em cumprir perfeitamente suas funções no templo. Porém, não eram somente os homens que a desejavam, o deus do mar, Poseidon, intencionou possuí-la assim que a viu. Ficou tão apaixonado que faria qualquer coisa para isso. Mas Medusa, como sacerdotisa jamais poderia sair do templo. Então, disfarçado, escondeu-se atrás do grande altar e, quando não havia mais ninguém no templo, surpreendeu Medusa e a possuiu contra a sua vontade. Atena, quando soube que seu templo havia sido violado, descarregou sua ira na inocente Medusa. Primeiro, transformou-a num ser mortal, depois escureceu sua pele e a revestiu de escamas de réptil. Mas seus cabelos continuavam belos e sedosos, então a deusa os transformou em serpentes. Medusa ficou parecida a uma velha medonha e, mesmo se desculpando, implorando que estava grávida e exigindo justiça, não foi perdoada.Por fim, Atenas determinou que todos que olhassem para Medusa se transformassem imediatamente em uma estátua de pedra. Medusa foi viver com as irmãs em uma caverna, no extremo ocidente da Grécia.

Eram chamadas de ‘as irmãs górgonas’, porque a cada dia se tornavam mais feias e repugnantes. Todos se esquivavam de passar perto com medo de virarem pedra. Em uma ilha próxima, o tirano rei Polidectes raptou Dânae, mãe do jovem e valente Perseu. Ameaçando violentá-la, exigiu que o jovem lhe trouxesse a cabeça de Medusa. Mas como realizar uma proeza dessas se também ele, como todos os mortais, temia o poder do olhar da górgona? Sensibilizada e querendo dar um fim àquele episódio, que poderia até manchar sua imagem, a deusa Atena ajudou Perseu cedendo a ele o elmo de Hades, que lhe tornava invisível, as sandálias aladas de Hermes, um alforje para transportar a cabeça da Medusa e um escudo de bronze brilhante, para que ele pudesse enfrentar as três irmãs. Perseu entrou na caverna enquanto elas dormiam e, mirando o pescoço de Medusa pelo reflexo do escudo, separou a cabeça do monstro, colocou-a no alforje e saiu da caverna voando. Chegando à ilha, salvou sua mãe e presenteou a deusa Atenas com a cabeça decepada, que continha o mesmo poder transformador de quando era viva. Atenas pregou a face da Medusa em seu escudo e lá ela está até hoje.
Não há quem não se sensibilize com a história de Medusa, da injustiça que sofreu e do seu trágico fim, e não se perguntam por que Atenas preferiu puni-la ao invés de vingá-la. Fazendo parte de um panteão de deuses masculinos, Atenas deveria ficar ao lado deles e garantir seu status ou decepcionar os humanos e perder sua condição da deusa mais amada na maior cidade da Hélade? Ela preferiu a primeira versão. Já Perseu, o assassino de Medusa, passou à história como herói. Para Freud, ela representa a castração, associada na mente da criança à descoberta da sexualidade materna e sua negação. Para outros psicanalistas, representa os conflitos não-resolvidos da deusa com o seu pai, sugerindo que as filhas decepcionam os pais ao se casarem e se associarem a um macho diferente. As feministas da década de sessenta a tomaram como símbolo de sua ira contra as imposições do patriarcado chauvinista, como um mapa que as guiassem ao poder e as libertassem enquanto pessoas. Para a maioria é só mais uma história de injustiça contra a mulher.